AC TÓRTORO: MEU PAI, CLAUDIO TÓRTORO, NOME DE RUA NO JARDIM CRISTO REDENTOR

DECRETO NO. 227

DE 09 DE AGOSTO DE 2017
DENOMINA RUA DE “CLAUDIO TÓRTORO”.
DUARTE NOGUEIRA, Prefeito Municipal de Ribeirão Preto, usando das atribuições que lhe são conferidas por lei, em especial a lei 13.592, de 21 de agosto de 2015,
DECRETA:
Artigo 1º. – Fica denominada de “CLAUDIO TÓRTORO” a Rua “3”, do Jardim Cristo Redentor.
Artigo 2º. – Este decreto entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Palácio Rio Branco
DUARTE NOGUEIRA
Prefeito Municipal

NICANOR LOPES
Secretário da Casa Civil

O projeto de lei que denomina
RUA CLAUDIO TÓRTORO
é de autoria do Presidente da Câmara,
VEREADOR RODRIGO SIMÕES.
VIDE: http://www.tortoro.com.br/blog/?p=7886

LOCALIZAÇÃO
Jardim Cristo Redentor: Empreendimento em parceria da MKR Consultoria, Serviços e Tecnologia e o Grupo Pacaembu Construtora.
Área de 2.830.297,10m2;
7.768 lotes, sendo 7.039 residências, 584 mistos e 145 industriais;
Localização: atrás da antiga Usina Galo Bravo e Pq. das Oliveiras na Rodovia Alexandre Balbo (Anel Viário Norte).

CLAUDIO TÓRTORO: UVA NOS LAGARES DA VIDA

“Era um grande nome — ora que dúvida ! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua…e continuaram a pisar em cima dele”.
Mario Quintana

Claudio Tórtoro nasceu para ser uva nos lagares da vida.
Quando Claudio nasceu, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: Vai, Claudio! ser uva na vida.
Para quem não sabe, no princípio, toda a produção de vinho era bastante artesanal, uma arte que passava de pai para filho com todo o carinho e atenção que a uva merecia para se transformar na bebida dos deuses.
A produção do vinho era tão elaborada que o esmagamento se transformava num verdadeiro ritual, quando os esmagadores de vinho acreditavam que havia até maneiras de se pisar para obter o melhor vinho.
O esmagamento feito com os pés, tornou-se tradição que é mantida até hoje em algumas regiões, como em Portugal, por exemplo, que produz vinhos artesanais no Alentejo, ainda produzidos segundo os costumes antigos.
O esmagamento, feito nos lagares, vai produzir uma mistura do suco, das cascas e das bagas, chamado de mosto.
O esmagamento da uva, que rompe a casca para liberar a polpa e o suco, é um processo que pode variar, influenciando na qualidade do produto final: dizia-se que, se as uvas fossem esmagadas com pés femininos, o vinho se tornava mais suave.
Mas voltemos aos lagares da vida.
Claudio Tórtoro — consta em seu registro de nascimento a observação: “segundo com o mesmo nome”, porque recebeu o mesmo nome de um irmão natimorto — filho de Carmine Tórtoro e Ida Pulverini, nasceu em 15 de novembro de 1923, em Ribeirão Preto – SP, nas redondezas da Praça 7 de Setembro.
Aos dez anos começou a ser esmagado na vida. Perdeu o pai — Carmine faleceu com problemas pulmonares devido ao pó de mármore que respirou durante parte de sua vida no trabalho na Marmoraria Progresso — e a partir daí teve que responsabilizar-se pela criação de três irmãos: Áureo, Octávio e Francisco, todos menores que ele; e pelo sustento da mãe.
Por esse motivo começou a trabalhar muito cedo na Cristófani Madeiras, empalhando cadeiras.
Posteriormente, trabalhou quase toda a vida — por mais de quarenta anos — no Antigo Banco Construtor ( contratado pelo próprio Antonio Diederichsen) , depois denominado Cia. Comércio e Indústria Antonio Diederichsen, atualmente Santa Emilia: 40 anos nos lagares do comércio sendo pisoteado por algumas pessoas que ele tinha a obrigação de atender bem.
Em 1948 casou-se com Terezinha da Silva e teve os filhos Antonio Carlos e Rita Maria: vinhos especiais extraídos dele nos lagares da existência.
Aposentou-se trabalhando na Diederichsen como representante da firma Permetal — materiais utilizados em usinas de açúcar — após ter sido, durante muito tempo o responsável por um dos setores mais importantes da empresa: a seção de expedição.
Claudio, conhecido pelos amigos como Dinho ou Manolo — gostava de cantar músicas de Vicente Celestino — fazia questão de contar que trabalhou em peças teatrais quando Congregado Mariano na Igreja São José — por exemplo, na peça Vida e Morte de São Venâncio e outras: mas novamente foi esmagado pela intransigência da Igreja Católica da época.
Tocava gaita, empalhava cadeiras divinamente, ouvia óperas e músicas italianas — Gigli, Caruso, Mario Lanza — pescava lambaris, cuidava do pintassilgo, andava de bicicleta, tirava fotos nas horas vagas com sua máquina “caixote”, tinha ciúme de suas ferramentas.
Depois de traído por Olívia — nos lagares do amor não correspondido — casou-se com Terezinha. Aos 37 anos construiu sua casa própria no jardim Paulista e aos 45 comprou o primeiro automóvel: um Gordini, que logo trocou por um Volkswagen azul claro, destruído em um acidente na estrada Ribeirão Preto-Serrana: um momento em que se sentiu esmagado de tal forma que perdeu a vontade de viver.
Claudio usou relógio de bolso, tinha um caderno com letras das músicas de Celestino, adorava tomar uma pinguinha de aperitivo, ia a procissões com a família — na Páscoa e na Paixão, de manhã tomava sempre um mingau de aveia, dava semanalmente corda no carrilhão Silco.
Claudio visitava usinas de açúcar — esmagado como a cana-de-açúcar — vendendo telas da Permetal e dando assessoria técnica, participou da criação da Cooperativa Agrícola de Mombuca – Guatapará, foi sócio-interessado nas Lojas Diederichsen, gostava de ir a São Paulo visitar parentes via Trem Azul. Para os filhos contava estórias, incentivava a leitura comprando anualmente o Almanaque, ia de bicicleta ao aeroporto levando o filho na garupa.
Claudio Tórtoro: um ser humano teimoso ao extremo que viveu intensamente, à sua maneira, cada momento.
Faleceu no dia 7 de julho de 2015, no quarto 603, da Santa Casa de Misericórdia com insuficiência respiratória — sob os cuidados dos jovens e dedicados médicos Fábio e Laís — tendo ao seu lado, no leito de morte, o casal de filhos.
Na sala 4 do velório Samaritano, envolto em coroas de flores — Clube de Regatas, Colégio Anchieta, Elmara Bonini e família, família de Lindolpho Pereira e Pastobras — Claudio recebeu a visita de seus amigos— e dos amigos de seus filhos — para as últimas despedidas.
Seu corpo repousa na quadra 22, sepultura 7565 do cemitério da Saudade enquanto seu espírito inicia jornada em nova dimensão.
No dia 8 de agosto de 2017, por meio de um projeto do Presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, o Vereador Rodrigo Simões, Claudio virou rua.
Doravante, continuarão a pisar em cima dele, mas o vinho vertido será sagradamente degustado nos jardins do Cristo Redentor.

ANTONIO CARLOSTÓRTORO
ancartor@yahoo.com
WWW.tortoro.com.br

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